terça-feira, 19 de janeiro de 2021

O PRIMEIRO POEMA:

 









Lengalenga DO TRIGO DOIRADO

 

Estava eu olhando,

À porta sentado

O sol rebrilhando,

E o infinito prado...

 

Quando de súbito,

Oiço uma voz...

Forte e rude

Como duas mós...


Era um pastor com o seu rebanho,

Cantando uma cantiga

Que um estranho lhe havia ensinado

Quando era cantor...

 

O pastor...

 

Cantava ao trigo, ao sol,

E ao prado, que parecia doirado.

 

Trigo doirado que em breve seria

O pão de cada dia

De quem o havia semeado...


Depois de semeado

O sol doirado o fará crescer,

Para o homem o colher

Do infinito prado...

 

Depois de ceifado

Debulhado será

E dali sairá grão doirado brilhando ao sol

Rolando ao vento até ser apanhado...

 

Depois de ensacado moído será,

E dele sairá branca farinha

Que se amassará para fazer

Pão doirado...


Pão doirado filho do trigo

Do sol e da chuva

Que em breve

Será comido pelo cultivador

Esta era a cantiga

Que cantava o pastor...