CDP
II - LISBOA
Lisboa
cidade moça,
Tu és a
minha mulher,
Por entre as
tuas vielas,
Nas tuas
ruas tão belas,
Só não canta
quem não quer.
Lisboa
cidade morena
Tu és aquela
cantilena,
O pregão que
paira no ar.
Lisboa
cidade menina,
Tu és como
aquela cantiga
Que se ouve
a assobiar.
21/01/97
CDP
II - O TEU ROSTO
O teu rosto
tão sereno, eu contemplo,
Que como os
estilhaços do tempo,
Não para de
nos pasmar.
O teu rosto
tão belo eu olho,
Que como
aquele belo tesoiro
Não paramos
de cobiçar.
O teu rosto
de saudade eu afago
Pleno de
ternura e emoção.
O teu rosto
desnudado
É belo como
uma canção!
25/01/97
CDP
II - TEJO AMADO
Rio Tejo de
águas salgado,
Alma eterna
de Lisboa.
És o Tejo
meu amado,
De tuas
águas enamorado
Olho a
cidade de Lisboa.
25/01/97
CDP
II - O TEU CORPO
Teu corpo
aveludado
De sol
irradiado,
Da cor das
estrelas,
Que belas!
É como um
manto doirado,
Resplandecente,
quando desnudado.
Quase sempre
insaciado,
Cheio de
curvas singelas.
É um caminho
que percorro,
Com as
minhas mãos impacientes.
É um carinho que sentes
Bem de
mansinho.
É um sonho,
é um ninho
No qual me
aconchego despreocupado.
É um momento
roubado.
É como uma
canção.
Deleito-me a
escutar
O ritmo do
teu coração.
21/05/97
CDP
II - GOTAS DE ÁGUA
Gotas de
água, que das nuvens altas se desprendem,
São como
pérolas pendentes da árvore da vida.
São
fragmentos frios, que se esvaem no vazio.
São como
rios de água gelada,
Que já não
correm livremente.
São como
bocados de gente
Nua e
despreocupada,
Que se
envolve de repente
Em actos de
amor selvagem.
São como uma paisagem
Eternamente
serena.
São como uma
flor amena
Que sedenta
as absorve.
São o fruto
e a árvore,
Que cresce
mas não se move.
21/05/97
CDP
II - CHUVA NEGRA
Chuva negra
de tormentos,
Tu és o meu
desalento,
És o meu
descontentamento,
És a minha
desilusão.
Chuva negra
de saudade.
Eras a minha
liberdade.
És como uma
triste canção.
Chuva negra
de ilusão,
Já não és a
minha esperança.
Turvas-me a
lembrança,
Dilaceras-me
o coração.
21/05/97
CDP
II - ANSIEDADE
O teu corpo
nu eu contemplo
Olhando com
ansiedade.
Espero pelo
momento
Em que irás
fazer amor comigo.
Espero com
ansiedade
Que me
toques.
Quero
sentir-te!
Quero amar-te!
Quero
tocar-te!
Em momentos felizes de carícias
Quero sentir
as delícias do teu olhar.
Quero
poder-te amar
Em carícias
mil
Delícias.
21/05/97
CDP
II - TEMPO
«(…) Sou tempo distante do meu
pensamento,
nos braços do sol e do pão a sonhar;
girando nas faces das rodas do vento,
sou sonho presente na noite a
passar... (…)»
Joaquim
Ramalho Claro
Sou a vida
que corre neste momento.
Sou o
tormento.
Sou corpo
que rola no sentimento do amor.
Sou o pão e
sou a dor.
Sou o alfa e o ómega do meu pensamento.
Sou aquela
flor que morre
Nos braços
do seu amor.
Sou o tempo,
que escorre sem parar.
Sou o rio e
sou o mar
Onde desagua
o desejo.
Sou aquilo
que ensejo.
Apenas
desejo amar!
21/05/97
CDP
II - NUA DE AMOR
Dois corpos
desnudados
Rolaram
abraçados
Na cama
fria.
Contorciam-se,
despreocupados,
Em
convulsões de amor.
Eram
espasmos de amor,
Que nos
enchiam de felicidade,
Não havia
falsidade,
Estavas nua
de amor.
21/05/97
CDP
II - ETERNIDADE
Eu nunca te
esqueci
Eu nunca te
deixei
Eu nunca te
menti
Mas sempre
te amei!
Nunca te perdi
Nunca te
chorei
Nunca te
menti
Mas sempre
te amei!
Sempre te
desejei
Sempre te
procurei
Sempre te
encontrei
Mas sempre
te perdi!
21/05/97
CDP
II - A LUZ QUE ME GUIA
Tu és a luz
dos meus olhos.
És a fonte
da minha vida.
És a minha
felicidade,
Que parte
logo em seguida.
Tu és a
minha esperança,
Aquela que
me dá forças
E me faz ver
Que o mundo
será sempre redondo,
Faça eu o
que fizer.
21/05/97
CDP
II - ALMA DE AMOR
A minha alma
é cativa,
Prisioneira
do amor.
Não quero
viver sozinho!
Não quero
viver na dor!
Não quero
desesperar,
À procura do
inatingível!
Não quero
morrer sozinho.
Ajuda-me por
favor!
21/05/97
CDP
II - SONHOS DE AÇÚCAR
Mulher doce
e sensual
És minha
vida, meu sal.
És a minha
solidão.
És o meu
mundo absurdo
No qual me
escondo, sisudo.
És a minha
ilusão,
És a minha
fantasia,
A minha
alegria.
És a luz que
me guia.
És aquela
que eu queria
Para minha
mulher.
Mas, no fundo, eu sempre soube
Que estavas
de partida.
A vida é
efémera
E a
despedida
É sempre
dolorosa à partida.
21/05/97
CDP
II - CARÍCIAS EM AZUL
O teu corpo
palpitante eu percorro,
Em carícias
nostálgicas de azul.
O teu corpo
sedutor eu desejo.
Em momentos
de amor,
O teu corpo
quente eu acolho
Nos meus
braços sedentos de carinho.
O teu corpo
ansioso eu satisfaço
Completando
o meu destino.
21/05/97
CDP
II - A MESA
Dois
namorados, sentados à mesa,
Conversam
apaixonados.
Esperam por
um momento de prazer
Que os invada.
Ele toca a
mão dela devagar,
Ela olha
para ele e beija-o na face
E, de súbito
deste enlace
Sai um
suspiro de paixão.
É um pedido
sedutor,
De amor.
O empregado,
ao longe, espreita
E
aproxima-se devagar
Num tom forte pergunta:
- Afinal o que
é que vão tomar?
Ele olha
para o empregado
E depois
para a namorada,
Não se
consegue conter
E desata à
gargalhada.
O empregado,
estupefacto,
Pergunta
novamente assim:
- Não tenho
tempo para gracejos,
Digam-me o
que querem, sim?
Ele pediu
dois cafés,
Uma cheia e
um descafeinado,
E o
empregado já danado
responde:
- Aqui não servimos cafés,
Apenas sumos
e licores.
E ele já
cheio de dores de tanto rir
Responde:
- Não faz
mal, que sumos tem?
- Temos
laranja e ananás
E batido de
morango também!
Ele pensa um
bocado
E pergunta à
namorada:
- O que
achas do batido?
E ela
responde:
- Já não me
apetece nada...
21/05/97
CDP
II - QUANDO ME OLHAS AMOR
Quando me
olhas, amor,
Sinto-me
enternecer
E faço por
esquecer
Todos os
momentos de dor.
Todos os
momentos nos quais
Eu sentia a
tua falta,
Momentos em
que me amavas,
Como nunca
me tinhas amado.
Momentos em
que me olhavas,
Como nunca
me tinhas olhado.
Quando me olhas, amor,
Eu
esqueço-me completamente
De quem sou,
Do que faço,
Fica somente
o desejo
De te roubar
um abraço...
22/05/97
CDP
II - BRILHO
Hoje
alcancei as estrelas.
Tão altas e
tão belas,
Tão bonitas
e singelas,
Que cintilam
devagarinho.
Brilham no
meio da noite calma,
E aquecem a
alma
Dos amantes
que, de noite,
Buscam
refúgio para o seu amor.
São estrelas
de valor
Que nos
guiam na escuridão.
São estrelas
de ilusão,
Que nos
mostram o caminho.
São estrelas de emoção,
Que nos amam
devagarinho.
22/05/97
CDP
II - SENTIMENTOS
Sinto-me
vazio de tudo
E cheio de
nada,
Como se o
nada pudesse preencher o vazio.
Sinto-me
farto e enfadado,
Sinto-me
enregelado,
Magoado,
Decepcionado,
Enfim,
Que sei eu?
Nada...
Que procuro
eu?
Não sei...
Talvez o amor...
Talvez a
amizade...
Outras vezes
a solidão
Que nos trás
a saudade,
Saudade de
alguém
Em quem
possamos confiar.
Alguém que
nos ame
E que
desejemos amar...
CDP
II - UM DIA MAIS...
«(…) Após um dia tristonho,
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias (…)»
António
Aleixo
Após um dia
de mágoas,
De
desesperos fatais,
Vêm outros
Mais felizes
entre os demais.
Após um dia medonho,
Em que tudo
parece sem solução,
Vem outro
dia risonho,
Alegre como
uma canção.
Após um dia
de tormentos,
No qual nos
vemos enredados,
Vem outro
dia de sonho,
No qual
julgamos estar apaixonados.
E como disse
António Aleixo,
Após um dia
de queixume,
Vem outro
alegre e risonho,
Sabemos que
assim é costume...
22/05/97
CDP
II - PALAVRAS AO VENTO
Palavras, deito-as
ao vento
Nos meus
momentos de tormento.
Momentos em
que o desalento
É filho da
desilusão
E é com
muita emoção,
Que vou
ditando o meu destino.
Palavras,
deito-as ao vento.
São o meu
desatino.
22/05/97
