terça-feira, 19 de janeiro de 2021

CDP-II



 












CDP II - LISBOA

 

Lisboa cidade moça,

Tu és a minha mulher,

Por entre as tuas vielas,

Nas tuas ruas tão belas,

Só não canta quem não quer.

Lisboa cidade morena

Tu és aquela cantilena,

O pregão que paira no ar.

Lisboa cidade menina,

Tu és como aquela cantiga

Que se ouve a assobiar.

 

21/01/97


 

CDP II - O TEU ROSTO

 

O teu rosto tão sereno, eu contemplo,

Que como os estilhaços do tempo,

Não para de nos pasmar.

O teu rosto tão belo eu olho,

Que como aquele belo tesoiro

Não paramos de cobiçar.

O teu rosto de saudade eu afago

Pleno de ternura e emoção.

O teu rosto desnudado

É belo como uma canção!

 

25/01/97

 

 

CDP II - TEJO AMADO

 

Rio Tejo de águas salgado,

Alma eterna de Lisboa.

És o Tejo meu amado,

De tuas águas enamorado

Olho a cidade de Lisboa.

 

25/01/97


 

CDP II - O TEU CORPO

 

Teu corpo aveludado

De sol irradiado,

Da cor das estrelas,

Que belas!

É como um manto doirado,

Resplandecente, quando desnudado.

Quase sempre insaciado,

Cheio de curvas singelas.

É um caminho que percorro,

Com as minhas mãos impacientes.

É um carinho que sentes

Bem de mansinho.

É um sonho, é um ninho

No qual me aconchego despreocupado.

É um momento roubado.

É como uma canção.

Deleito-me a escutar

O ritmo do teu coração.

 

21/05/97


 

CDP II - GOTAS DE ÁGUA

 

Gotas de água, que das nuvens altas se desprendem,

São como pérolas pendentes da árvore da vida.

São fragmentos frios, que se esvaem no vazio.

São como rios de água gelada,

Que já não correm livremente.

São como bocados de gente

Nua e despreocupada,

Que se envolve de repente

Em actos de amor selvagem.

São como uma paisagem

Eternamente serena.

São como uma flor amena

Que sedenta as absorve.

São o fruto e a árvore,

Que cresce mas não se move.

 

21/05/97


 

CDP II - CHUVA NEGRA

  

Chuva negra de tormentos,

Tu és o meu desalento,

És o meu descontentamento,

És a minha desilusão.

Chuva negra de saudade.

Eras a minha liberdade.

És como uma triste canção.

Chuva negra de ilusão,

Já não és a minha esperança.

Turvas-me a lembrança,

Dilaceras-me o coração.

 

21/05/97


 

CDP II - ANSIEDADE

 

O teu corpo nu eu contemplo

Olhando com ansiedade.

Espero pelo momento

Em que irás fazer amor comigo.

Espero com ansiedade

Que me toques.

Quero sentir-te!

Quero amar-te!

Quero tocar-te!

Em momentos felizes de carícias

Quero sentir as delícias do teu olhar.

Quero poder-te amar

Em carícias mil

Delícias.

 

21/05/97


 

CDP II - TEMPO

 

«(…) Sou tempo distante do meu pensamento,

nos braços do sol e do pão a sonhar;

girando nas faces das rodas do vento,

sou sonho presente na noite a passar... (…)»

 

Joaquim Ramalho Claro

 

Sou a vida que corre neste momento.

Sou o tormento.

Sou corpo que rola no sentimento do amor.

Sou o pão e sou a dor.

Sou o alfa e o ómega do meu pensamento.

Sou aquela flor que morre

Nos braços do seu amor.

Sou o tempo, que escorre sem parar.

Sou o rio e sou o mar

Onde desagua o desejo.

Sou aquilo que ensejo.

Apenas desejo amar!

 

21/05/97


 

CDP II - NUA DE AMOR

 

Dois corpos desnudados

Rolaram abraçados

Na cama fria.

Contorciam-se, despreocupados,

Em convulsões de amor.

Eram espasmos de amor,

Que nos enchiam de felicidade,

Não havia falsidade,

Estavas nua de amor.

 

21/05/97


 

CDP II - ETERNIDADE

 

Eu nunca te esqueci

Eu nunca te deixei

Eu nunca te menti

Mas sempre te amei!

Nunca te perdi

Nunca te chorei

Nunca te menti

Mas sempre te amei!

Sempre te desejei

Sempre te procurei

Sempre te encontrei

Mas sempre te perdi!


21/05/97



CDP II - A LUZ QUE ME GUIA

 

Tu és a luz dos meus olhos.

És a fonte da minha vida.

És a minha felicidade,

Que parte logo em seguida.

Tu és a minha esperança,

Aquela que me dá forças

E me faz ver

Que o mundo será sempre redondo,

Faça eu o que fizer.

 

21/05/97


 

CDP II - ALMA DE AMOR

 

A minha alma é cativa,

Prisioneira do amor.

Não quero viver sozinho!

Não quero viver na dor!

Não quero desesperar,

À procura do inatingível!

Não quero morrer sozinho.

Ajuda-me por favor!

 

21/05/97


 

CDP II - SONHOS DE AÇÚCAR

  

Mulher doce e sensual

És minha vida, meu sal.

És a minha solidão.

És o meu mundo absurdo

No qual me escondo, sisudo.

És a minha ilusão,

És a minha fantasia,

A minha alegria.

És a luz que me guia.

És aquela que eu queria

Para minha mulher.

Mas, no fundo, eu sempre soube

Que estavas de partida.

A vida é efémera

E a despedida

É sempre dolorosa à partida.

 

21/05/97


 

CDP II - CARÍCIAS EM AZUL

 

O teu corpo palpitante eu percorro,

Em carícias nostálgicas de azul.

O teu corpo sedutor eu desejo.

Em momentos de amor,

O teu corpo quente eu acolho

Nos meus braços sedentos de carinho.

O teu corpo ansioso eu satisfaço

Completando o meu destino.

 

21/05/97

 


CDP II - A MESA

 

Dois namorados, sentados à mesa,

Conversam apaixonados.

Esperam por um momento de prazer

Que os invada.

Ele toca a mão dela devagar,

Ela olha para ele e beija-o na face

E, de súbito deste enlace

Sai um suspiro de paixão.

É um pedido sedutor,

De amor.

O empregado, ao longe, espreita

E aproxima-se devagar

Num tom forte pergunta:

- Afinal o que é que vão tomar?

Ele olha para o empregado

E depois para a namorada,

Não se consegue conter

E desata à gargalhada.

O empregado, estupefacto,

Pergunta novamente assim:

- Não tenho tempo para gracejos,

Digam-me o que querem, sim?

Ele pediu dois cafés,

Uma cheia e um descafeinado,

E o empregado já danado

responde:

- Aqui não servimos cafés,

Apenas sumos e licores.

E ele já cheio de dores de tanto rir

Responde:

- Não faz mal, que sumos tem?

- Temos laranja e ananás

E batido de morango também!

Ele pensa um bocado

E pergunta à namorada:

- O que achas do batido?

E ela responde:

- Já não me apetece nada...         

 

21/05/97

 


CDP II - QUANDO ME OLHAS AMOR

  

Quando me olhas, amor,

Sinto-me enternecer

E faço por esquecer

Todos os momentos de dor.

Todos os momentos nos quais

Eu sentia a tua falta,

Momentos em que me amavas,

Como nunca me tinhas amado.

Momentos em que me olhavas,

Como nunca me tinhas olhado.

Quando me olhas, amor,

Eu esqueço-me completamente

De quem sou,

Do que faço,

Fica somente o desejo

De te roubar um abraço...

 

22/05/97

 


CDP II - BRILHO

  

Hoje alcancei as estrelas.

Tão altas e tão belas,

Tão bonitas e singelas,

Que cintilam devagarinho.

Brilham no meio da noite calma,

E aquecem a alma

Dos amantes que, de noite,

Buscam refúgio para o seu amor.

São estrelas de valor

Que nos guiam na escuridão.

São estrelas de ilusão,

Que nos mostram o caminho.

São estrelas de emoção,

Que nos amam devagarinho.

 

22/05/97


 

CDP II - SENTIMENTOS

 

Sinto-me vazio de tudo

E cheio de nada,

Como se o nada pudesse preencher o vazio.

Sinto-me farto e enfadado,

Sinto-me enregelado,

Magoado,

Decepcionado,

Enfim,

Que sei eu?

Nada...

Que procuro eu?

Não sei...

Talvez o amor...

Talvez a amizade...

Outras vezes a solidão

Que nos trás a saudade,

Saudade de alguém

Em quem possamos confiar.

Alguém que nos ame

E que desejemos amar...

 


CDP II - UM DIA MAIS...

 

«(…) Após um dia tristonho,

de mágoas e agonias

vem outro alegre e risonho:

são assim todos os dias (…)»

 

António Aleixo

 

Após um dia de mágoas,

De desesperos fatais,

Vêm outros

Mais felizes entre os demais.

Após um dia medonho,

Em que tudo parece sem solução,

Vem outro dia risonho,

Alegre como uma canção.

 

Após um dia de tormentos,

No qual nos vemos enredados,

Vem outro dia de sonho,

No qual julgamos estar apaixonados.

 

E como disse António Aleixo,

Após um dia de queixume,

Vem outro alegre e risonho,

Sabemos que assim é costume...


22/05/97


 

CDP II - PALAVRAS AO VENTO

 

Palavras, deito-as ao vento

Nos meus momentos de tormento.

Momentos em que o desalento

É filho da desilusão

E é com muita emoção,

Que vou ditando o meu destino.

Palavras, deito-as ao vento.

São o meu desatino.

 

22/05/97